14.7.08

la esquizofrenia es.


mi corazón,
la esquizofrenia es una enfermedad mental en la que desaparece el sentido de realidad. la mente sufre alucinaciones y delirios que a veces se vuelven crónicos. la esquizofrenia es un trastorno fundamental de la personalidad, una distorsión del pensamiento. los que la padecen tienen frecuentemente el sentimiento de estar controlados por fuerzas extrañas. my dear,
a única forma possível do amor é a da descontinuidade: quando choro de joelhos pelo teu aparecimento, pelo teu ombro, pelo teu cansaço; quando me esqueço do gozo e desrespeito o que escrevo com desejo, virando objeto traidor, traído, traiçoeiro; quando faço face to face uma declaração de amor perigosa e sazonal; quando finjo me esquecer que prometi amor duradouro e sempre dourado; quando me descontrolo e perco o tom, a cor, a luz, a cruz. e nessa descontinuidade um tempo contínuo é permitido, de recorte, de olhar fotográfico, no qual eu digo palavras sujas, a contragosto de um arrependimento. ou mesmo meias-palavras, porque ninguém diz coisa com coisa num badbye. então bye bye superman, entrei na cabine errada, não sou mais herói, só o bandido mais duro que o camera man desfoca, distorce, esquece de filmar no take dois. em pé, de olhos ardendo, a voz engasgada pelo fogo, a única vez que eu não disse a verdade, porque não precisei jurar, foi quando me encerrei no segredo dos homens incoerentes e insensatos, desses que desembarcam no mundo cinco minutos antes de mim. honey, eu não sei inventar o visível. de resto, quero sempre reinventar o que nunca existiu. saudades de ti no meu corpo, roçando os lábios nos meus, me dizendo palavras mentirosas de amor, tão saborosas, tão minhas naquela hora falsificada, grudentas e viscosas de tão erradas, mas inteiramente minhas, suas, nossas. eu vivo com intensidade o que poderia ter sido. a fantasia, meu amor, é meu domínio sobre esse mundo autista, frágil, bolha-de-sabão. eu recorro de forma insistente às noites de bravata e bandeiras, às fragatas românticas com fragrância de lua prateada, às gravatas do meu terno, aos pai-nossos do meu terço, ao intertexto do meu eu. não há como ser mais verdadeiro. não sou eu quem espera por quem não vem, meu bem, sou eu quem é esperado por quem não chega. então, não me importa o que há do outro lado da porta, se você é um romance à parte, uma ficção da realidade, um sonho que enveneno de simulacro. estou farto do atrito com o instante-já, quero algo mais sensual, carnal, me dê uma cama e me dê um futuro que eu te mostro a ferocidade de um coração. quando é ali? onde é agora? qual sou eu? ai ai, quanto atraso na duração do corpo, quanta permanência no fracasso indissimulado do desejo. o fato, amor, é que minha ficção é tão factícia. me passe as chaves, por favor, pois perdi as minhas, perdi o ponto, perdi as luvas. descobri que la impossibilidad es la única realidad. and the end.

4 comentários:

Sérgio disse...

Conclusivo.
Ave, Marcio.

Manuela Penzlien Medeiros disse...

nossa. forte isso.

Sílvia Mendes disse...

Maravilha de carta. Gostei.

Sílvia Mendes disse...

Tem como, é? Também amo. Já decorei quase todas as páginas d'A Redoma de Vidro. Qual é, especificamente, o tema do teu doutorado?

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