7.2.17

Ao curado por deus

Das montanhas, quero o movimento, o trânsito pleno no espaço, o encurtamento que somente a fé provoca entre dois pontos. Eu quero: usted. A hóstia, o pão, o sangue crístico, também a ressurreição das memórias, a remissão das faltas pretéritas e de agora. Quero ter a cabeça cortada de Isaac, a doce boca de Iokanaan - sacrifícios doloridos da paixão. Como o do Filho, em via crucis, os braços abertos num abraço de nunca, chorando o abandono do pai. E do país, uma terra de promessas, um deserto vasto antes de Canaã. Abandonado à sorte do jejum e da morte, voltando a todo recuerdo como Lázaro na gruta quente. Eu vos digo: quero ser aqueduto, em linha reta, jardim em suspensão, suspeita que eu quero. Ainda agora bebi o salmo, o mel, engoli Salomão e Reis, fiz poesias de Eclesiastes, me ajoelhei por você. Abri o peito, vermelho mar, revolvendo o Egito para depois, dando adeus, abraçando errância, dando as costas a deus. Menos a você, esta fragrância de erva e bezerro, imolação de. amor tenra e eterna. Como os lírios, os castelos e os dragões vindouros do céu férreo. Eu quero verdade, versículo, verbo. Quero que se faça a luz, o sétimo dia, um jardim de éden bem semeado. Tudo para que possamos dormir juntos, hasta siempre, completamente inebriados de aurora.

25.11.16

duração

honey,

brigamos outra vez. no entanto: tudo safe and sound. sem dedos em riste, palavras de ordem, pratos atirados no chão. apenas o silêncio centrípeto. as costas se mirando na cama. as mãos enfiadas entre as pernas, querendo um conforto que não há. e, sim, aquela tristeza característica: baixo profundo, feito um ganido de cão adulto, sem raça. choro que já me disse achar, com certo paradoxo, delicado e insuportável. como isto, esta data. e você acha que brigamos só porque ando sensível demais, que os dias encerrados no quarto não me fazem bem. a fratura no tornozelo, a solitude da casa fechada. volta e meia vou até a sacada, vejo o movimento da rua, sinto o vento, o sol. a vida não para. e lá dentro: as coisas fora da ordem. as roupas recolhidas na segunda fazendo aniversário no sofá da sala. a impossibilidade de deslocar o que quiser pela casa. duas muletas, duas mãos ocupadas em se equilibrar. andar é quase o que não faço, exceto nos cercados metros quadrados deste lugar. restam os filmes da televisão, a lista dos livros, o videogame como companhias insossas. e o cansaço de estar muito tempo comigo mesmo. e também com: as ranhuras na parede de gesso acartonado, a espera ansiosa pelo banho noturno, a despensa aumentando o vazio. me põe para baixo o cansaço do tempo que ando só, vendo os paranhos a aparecer nas esquinas do teto, notando o acumular de pelos nos ladrilhos da casa, ouvindo sem curiosidade os sons do corredor do prédio. se estou sensível é por este vazio, esta espera insuflada. como uma raposa que prepara o coração desde as seis da tarde, eu me preparo para sua chegada. o gesto ansioso de um cachorro a espera cronometrada do dono, depois de um entediante dia consigo, com seus latidos e nenhum afago. brigamos again. no entanto: quando ouço a porta se abrir, depois de tanto tempo aqui, tudo se desfaz. e somos nós dois outra vez.

17.7.16

o totem


eis-me aqui, diante de ti, para acertar as contas com meu passado. viajei até o mais longe para encontrar tu, monstro totêmico, razão de todos os meus fracassos. a ti nunca superei, e depois de tua estada furiosa em meu corpo, nunca mais encontrei a estrada tranquila dos dias. predador, predador, não fosse por este encontro, saberia ainda viver o encanto dos que tem desejo. mas por causa de ti, sim, eu dei as costas à civilização: a flor da barbárie cresceu em mim. e foi horrível, horrível. não vim de tão longe para sofrer outra imolação, voltei até o coração das trevas para sacrificar tua imagem sombria do meu pescoço. vês este machado? com ele farei minar o sangue, desfigurarei teus múltiplos rostos, deceparei tuas patas de leão, arrancarei o flanar de tuas asas. fostes ancestral em minha vida, o sinistro persecutório das penumbras, a ilha da terrível sede. mas neste momento em que me reencontro, o que digo é uma reza que me libera das liturgias que fazia a teus pés, giving you devotion. massa de carne e ossos, sangue e tripas, não significas mais nada para mim, nada tenho mais a ver contigo. teus louros escorrem pela terra, grossos e azedos; meus olhos debutam as histórias do novo mundo, nativos, ingênuos e limpos para o amor.

.: marcio markendorf

5.5.16

levezas de retorno

honey,
(ao som dos sussurros de caio e ana)


estive ausente por tanto tempo. me perdoa? sim, sim, eu recebi todas suas cartinhas tão deliciosas aos olhos (e tão mais carinhosas se fossem faladas ao ouvido). que desastre o dos morangos. já os vi daquele jeito, vermelhos, murchos, camadas de cinzento tátil. pior de tudo foi perder o suculento por nojo e estrago. mas não é assim que você está, baby. você é que se põe numa bandeja imaginária. puro balde de água fria. vai ver por isso os dragões não conhecem o paraíso: fazem do juízo interior uma pesada corrente. lembra dos tijolos? tijolos e pedras de calcutá. solta a sacola. é você quem decide o que carrega. leva da viagem verdades e souvenirs. se liberta na janela da alma muito mais graciosa. em horário comercial, de preferência. eu aqui, não paro de falar na morte que nem me parece negra nem suicida. driblei o medo. essa morte, hoje, me faz rir de vez em quando. faça como eu: dê risadas ébrias do que te assusta, não acalme a loucura. esconjura esses demônios de mofo e verde gris. alça teu voo ao som de mensagem mecânica, olivetti college, com erro de paginação e escuta de turbina: devido ao reposicionamento da aeromoça, o desembarque foi alterado. portão p. de paraíso.

te amo, não esquece, no singular e no plural.

.: marcio markendorf

2.5.16

como uma criança

honey,

como uma criança, eu acordo. as cobertas estão fora do lugar, arrastando as pontas pelo chão, o sono está a me puxar pelos olhos de volta para o colchão. como uma criança, percebo que já estou sozinho na cama, na casa. sensação aparentada do terror infantil do abandonado, daquele deixado de lado para que os pais possam trabalhar. talvez ainda mais ressonante: o medo de ser deixado no supermercado. e eu já enfrentei, tenho a experiência disso: uma vez, passeando serelepe por qualquer prateleira de balas e doces, me desgarrei de minha mãe, entrei em desespero com a perda de suas saias, corri por corredores, em pânico, de tê-la perdido sem volta; depois a encontrei, serena, escolhendo alguma marca de macarrão, como se nada. o medo foi sendo substituído pela raiva de não ter sido notado, de quase ter sido garoto perdido anunciado no microfone e à espera na frente do caixa. a experiência do trauma me faz trazer as cobertas até as orelhas, afundar no calor do útero de um quarto. mas não assim, amor, não tanto assim: como uma criança, eu sei que já fui deixado, mas é algo que tem volta, vivido sem preocupação, um fato muito bem desenhado. com essa certeza, eu corro para levantar mãos, pés e costas das cobertas, calço os chinelos, me enrolo no edredom para ir à caça dos bilhetes, sem rosto lavado, cara de dormido, marca de travesseiro babado. e encontro os pequenos tesouros como em manhã de páscoa, seguindo patas de coelho feitas de farinha branca. e como uma criança satisfeita com os doces, eu devoro os bilhetes deixados pela casa, os pequenos pedidos de socorro para que a semana acabe logo e a gente se encontre de novo.

como uma criança que ama as coisas do tamanho do céu, eu torno a manhã de segunda plena de sorrisos, daqui até o sol.

.: marcio markendorf

22.1.16

o campo de gerânios


"não tem matemática".
m.d.c.

o campo de gerânios se abriu ao meio. nem o mar vermelho, amor, se abriu tão inteiro. eu já nem esperava qualquer mágica, assombro, rajada de fogo. e ainda assim: certeiro. veio descendo dos céus um anjo, mas não tocou trombeta, não exterminou nada, nem disse palavra. o serafim só me apontou o caminho como que dizendo 'vai, segue por aqui'. e eu que já havia caminhado tanto, nem sei quantas vezes eu tinha desistido, perdendo as contas de quanto tinha insistido, eu mesmo já era uma jornada longa. meus pés eram um território; meus braços, um teto político. eu era errante ignorante de por qual razão eu errava. olhei para os gerânios, sem marca de susto, ainda augustos mesmo que deitados no chão sendo caminho. depois do exílio, um passeio delicado para os pés cansados. pensei que veria um cortejo ou um castelo entre as pontas do campo. perdido em pensamentos, perdi o anjo. também perdi o medo. e encontrei na vista, em travessia pelo campo, outra errância em pessoa. obedeci o mando angelical por medo de adoecer porque quem não ouve deus desconhece o bálsamo da cura. e porque eu era impotente no deserto, nada era importante, era menos que um doente. tinha ultrapassado o jejum e o santo, a paz e a loucura. eu não sabia qual era nossa distância, mas, a cada passada de aproximação, os olhos cresciam de maravilha. até que: juntos. || a dois. as castanhas dos olhos castanhos, tão doces, tão enamoradas. porque não havia matemática, linguagem concreta, mensurável, imediata, aconchegamos rosto contra rosto, reconhecendo naquele encontro o desejo repetido nos antigos sonhos. era enlace perpétuo, repleto, prometido - sabíamos.
as almas, naquele instante, eram os próprios gerânios, uma paisagem de longilíneo campo florido.

.: marcio markendorf


29.8.15

o amor de saturno

my-oh-my,

depois que o tempo depôs o vento, vieram vindo. não eram muitos, mas eram violentos os eventos. a poeira sobre a terra, as nuvens, o córtex das águas. tudo. era quase impossível ver. a velocidade de deslocamento era de quatrocentos mil quilômetros por segundo, sem dó. e, em seguida, não havia mais pó, apenas uma nuvem de gás no espaço, só uma radiação invisível e mutiladora. por seis dias, desde que o planeta saturno sumiu, os continentes não se mexeram, as águas não subiram, os animais não se moveram. eram diamante e âncora de antebraço procurando um ponto-e-vírgula. e, sem nem acreditar, decalcando do impossível o ser-verdade, a tarde trouxe: na arquitetura medieval das areias, um príncipe. eu sou eu, eu sou seu, soul. os anéis eram duplos, como par e como promessa, sem pressa de se separar. deus, cura-me, cura-me com este nome curado por deus. (a prece, para quem reza de core, desce, lentamente, dos céus). a tempestade solar caiu queimando tudo, selando os espíritos, os corações fiat lux. nos seiscentos dias seguintes - um pouco mais talvez - as luas foram de mel. por fim, poesia-de-fim-de-dia, lá longe, um flamingo voou da carne e fez do rosa uma estrada majestosa do amor.

.: marcio markendorf

3.7.15

o coração é uma andorinha

my dear,

não tive culpa de você ter existido, estado aqui e me alimentado de grãos e unguento. eu apenas fui responsável por ser pássaro de praça, apegando-me à brevidade do gesto, às sementes de bem querer que pareciam cuidado & aproximação. se houve engano, foi das duas partes  da imprudente displicência de suas mãos, da minha fome imprudente.

mas certo é que meu imaginário voou mais longe, saltou grato por uma calçada de farelos em dia de calor. suas mãos, de outra sorte, voltaram para o bolso e só, sem demonstrar mais amor.

em meu sonho de pessoa humana, vi você cruzar a porta de casa, de madrugada, ficar muito pouco e retornar ao caos de fora da cabana. em seguida, meu montículo de abrigo ficou às voltas com fantasmas brancos, vestidos de lençol e olhos irregulares, como recortados por tesouras. o que levitava por trás dos lençóis era o desejo envergonhado, sofrendo de alguma culpa e me habitando os batentes. (agora mesmo penso ter visto uma capa, uns caninos, um cheiro de morte quando vi suas costas deixando a porta de entrada).

quando acordei, de alma lavada em lavanda e com cor azul perfumada, eu queria beber do abismo, o infinito; cair como pássaro ferido, sem ninho, sem força de vento em asa e assobio. agora: não sou, não sou, não sou. o sonho me purificou ou me mandou recados trágicos?

com os músculos cadentes, instáveis, o coração não foi amansado de ansiedade. passei horas na janela à espera do seu retorno do caos. como não veio, eu me vi como estorvo, um corvo esmagado na parede, de passagem, laminado. eu quis você, eu bem quis. como o corpo de um bem-te-vi cantando triste no arrebol atrás dos galhos.

porque esperei por dias você voltar, se insinuar, me querer por perto, fui virando o canto triste de pássaro urutau, com disfarce de pedra e casca de árvore, à noite. a espessura do seu antigo nome emagreceu, passou por baixo da porta, um vão fino, um papel sem mel. murcharam os afetos, inflou o pathos  um lago inteiro de pathos insensíveis grasnando durante a noite límpida dos meus sonhos. a percussão do pathos com você tocando, invisível, uns pratos de bateria. enlameado de melancolia, joão-de-barro, fechei-me por dentro da própria moradia, e, no escuro do emparedamento, sem dar um pio, soube que a pior intempérie não era a chuva ou o vento, mas o pressentimento do óbvio e do tolo. a asfixia de casa fechada, de saber improvável o retorno, de amargar o entorno do ouvido com as canções que escolhi para seu rádio. amador.

como eu pude ignorar os sinais da terra? a pele podre, os ossos, a cabeça mutilada  um pinguim pequeno morto na praia era um presságio, um mau agouro. não haveria nunca como você amar um corpo contra a luz, de frente para uma lua gorda saindo do mar. e as fotografias do invisível: umas paisagens destruídas, resistentes a existir como desenho, como recordação de cor & salteado. você quis me esquecer nas imagens  e pulverizou a lembrança, sem dó ou piedade. só vi o rastro prateado da lesma, a ausência da lesma, o fantasma do seu corpo. como um pássaro quieto e o signo inquietante do que é passado, do que é morto, roto.

você me deixou, sim, com a experiência do ar, do vácuo. você me deixou sim. e eu fiquei juntando os cacos do subjuntivo ao rés do chão, olhando para suas mãos dentro do bolso, olhando para suas costas de colosso, rochedo, pedra  nunca mais crendo, nunca mais querendo. as mãos, o farelo, o alpiste. o canto de devoração.

resta-me dizer, de longe, inclusive de mim:
o coração é uma andorinha, sozinha, voando alto em direção a um sol de fogo.

.: marcio markendorf





24.6.15

tannat


dear,

a meia garrafa de tannat ainda está em cima da geladeira, ao lado do pinguim de cartola e da caixa de primeiros socorros. kitsch e triste assim. por qual razão eu ainda não deitei-a fora, desconheço a resposta. tive receio de terminar de bebê-la e ser uma disrupção total. imaginei as paredes caindo, o prédio desabando, os escombros me sufocando a garganta, o aço perfurando os pulmões, o concreto quebrando os ossos em fraturas expostas. então fica ali o souvenir do fracasso, do contato displicente, do amor escasso. que fique lá, tannat, até que, por milagre, vire água de beber, camará, e não vinagre inútil.

lembro bem do susto quando me perguntou qual vinho eu queria levar. eu não sabia o que responder. não porque eu não preferisse algo encorpado, talvez com aroma de café, com baixos taninos. deslizei pela memória o que a ocasião pedia, o que o futuro prometia e só soube ser telegráfico: tinto. seco.

o que não dizia nada.
ou dizia em foreshadowing.

senti-me tão idiota depois. você rindo da minha resposta estúpida e eu só lembrando daquela história antiga que virou quase anedota entre os amigos: em um jantar elegante que preparei, depois de servir o vinho, experimentar o prato, fui interrompido na conversa com o pedido de licença para por uma pitada de açúcar ou umas gotas de adoçante na taça. para dar gosto. eu: recuperando-me do choque da pergunta. eu: fazendo o mesmo papel de idiota com sua pergunta eu: sentindo-me inferior perto de ti que não era nada.

ainda me sinto idiota olhando para essa meia garrafa de tannat.

e também experimento de memória: a assemblage das tuas meias verdades, o adocicado da tua língua de sálvia-lábia, o frutado e sedoso merlot da tua história canalha. e o gosto que ficou: tinto. seco. e a sós.

.: marcio markendorf






17.5.15

você teria sido minha salvação

dear,

eu pensei que você pudesse ser a baba de deus descendo dos céus, mansa e arrebatadora, delicada e saborosa como um maná. fiquei tendo pressentimentos de um porvir duradouro, só para depois vê-los, constrangidos, voltando pela mesma rua por onde se foram. desde há uma semana, estou dando murros em ponta de faca, detestando as coisas doces que me disse e me fez sonhar deste outro lado. é certo: a ingenuidade fez a cama onde eu durmo.

por que eu te fiz de repositório, eu não sei, não entendo. não compreendo a mim, que dirá a displicente falta de devoção, as desculpas pela rispidez sofisticada, a injustificada maldade em substituição à palavra boa, o desaparecimento previsível de ti. eu não te entendo. eu não entendo. era para ser uma salvação.

você me salvaria do tédio de continuar vivendo. da preguiça de me levantar para outro dia de trabalho, sem sal, insosso. da insônia viscosa que cola minha cabeça nos travesseiros durante a noite. da minha falta de domínio da casa, sempre em estado provisório e em reforma. da incapacidade que tenho para administrar minhas contas, meu salário, meu tempo de ócio ou ocupação. da minha impaciência com a televisão, os jornais, os programas de auditório e o trivial império das redes sociais. do meu esquecimento persistente do inglês, da minha inaptidão para o francês, do modo improvisado que falo espanhol. da raiva mental que tenho das vizinhas e sua confraria das queixas mesquinhas. da minha velocidade em comprar novos livros, infinitamente superior à possibilidade de lê-los. do hábito de baixar quinhentos filmes e só assistir a um terço (e esquecer porque mesmo quis ver alguns títulos). você me salvaria da minha docilidade, da minha incompetência para dizer não. você me salvaria porque eu já não sei mais me salvar.

então, eu criei você.

e justamente porque fui eu quem inventou tudo isso, vejo a hipótese do amor regredindo, a ansiedade me subtraindo, o desejo me traindo na síntese. eu me vejo agora, com raiva, tendo que lidar só comigo, comigo como deveria ser desde o princípio.

não é a dor do amor o que estou sentindo nesta tarde. é o terror de não poder delegar a outra carne a tarefa de me solucionar. de ter, de fato, que olhar para mim e me questionar: o que salvaria a ti de ti mesmo, baby?

.: marcio markendorf


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