11.12.09

a empresa da vida

dear,

sim. eu quero as pequenas brigas, os atrasos, as exigências. quero um corpo em febre, doente, para que eu possa cuidar. me dê a dor, a ânsia, o ferimento em casca, o vômito. quero limpar o vômito de alguém que seja meu. quero beijar um corpo sem nojo do gosto, do cheiro azedo, sem temer o fio de cabelo na boca. quero as coisas prosaicas do cotidiano, quero o tédio, quero as horas mortas, a embriaguez do final de semana. eu sinto vontade de enfrentar o jogo, pois é por essa idéia que penso a vida a dois, maior que qualquer exercício de paciência. o jogo é sempre inédito, todo dia é uma nova regra, todo dia é um novo tombo ou acerto. é uma loteria. é algo que não me deixa em paz. acordo mil noites de madrugada pensando em outros mil amantes que podem me derrubar, me deixar fora do controle, fora do sobrenome, fora do que entendo por domínio. parte do amor é neurose, parte é uma luta constante, trabalho. o amor é uma empresa. fui eu quem o fez mais bonito do que é. o que torna-se o modo mais triste de amar. talvez por isso eu aproveite sua sede para escrever, para envelopar o que não tenho conseguido nos últimos dias. sem paixão não há literatura, essa é verdade mais que absoluta. mesmo a prosa me arranha as mãos para sair, para ganhar o papel, para guardar um último apelo no espaço em branco. eu quero. quero todas as coisas que possa me dar ainda que de canto de olho, de ramela e com o cílio caído no rosto.

3 comentários:

Gabriel Resende disse...

É. O lugar das paixões.
Continue com as prosas poéticas, e continue a (tentar) se apaixonar...

Anônimo disse...

Que saudade da incerteza,das palavras, dos sentimentos, das angústias. Belo poeta...

Making Style® disse...

adorei *-*

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