18.1.10

se


dear,

e se eu estiver certo, que o amor existe de fato? se eu estiver apenas procurando nos lugares errados, chegando cinco minutos depois que esteve lá? e se o desencontro é porque sou muito mais novo ou um pouco mais velho? e se por acaso moramos no mesmo bairro, mas eu só coloque os pés na rua às sete da noite enquanto às sete da manhã alguém já ganhou o mundo? e se não for isso, se não moramos nem na mesma cidade, nem no mesmo estado, se moramos tão distantes que nunca nos conhecemos e choramos a ausência um do outro? e se já nos cruzamos nas seções do supermercado, pedimos desculpas pelo choque dos carrinhos, mal nos olhamos, envergonhados de distrair-se por quase nada? e se entramos um dia no mesmo elevador, cada um seguindo para um apartamento diferente, mas estivemos no mesmo espaço, estivemos no mesmo silêncio insuportável de quem viaja na vertical e só espera saltar no próximo andar? e se o destino for tão irônico que fez eu me perder só para ter coragem de perguntar para alguém onde fica a rua tal e alguém, que morava na rua tal e que me daria as explicações, de fato era quem sempre eu queria? e se eu não percebi todo esse tempo que quem entrega a correspondência também pode ser? e se o amor de fato existir [seria só para me enganar outra vez]?

3 comentários:

Anônimo disse...

ele pode estar onde a gente menos imagina...

Anônimo disse...

Será ? E se o carteiro não teve coragem de entregar a última correspondência...?

Christiano Scheiner disse...

como sempre, é lindo :) parabéns meu querido seeeeeeeee.
bjns. do Chris

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