12.7.05

cartas.papéis.rabiscos.


my dear.
outra vez. sempre deste modo e não de outro. pelo menos uma vez por semana eu entro no mundo subterrâneo, me visto de perséfone, daí nem sei o quê dos dias, quatro horas me parecem quatro meses, vou me rastejando até a cozinha, o dia inteiro com a mesma roupa de dormir, já que nunca sei quando vou dormir de novo, se vai ser no sofá da sala, na cama do quarto ou no chão do banheiro. eu tenho entrado sim nesse inferno, não como antes, talvez mais difícil, mas também mais silencioso. meu amigos reclamam da mudez, da languidez, do mau humor, me dizem lacônico, instrospectivo, impulsivo. sentem falta de minhas piadas, do meu amor, do meu café, das noites em claro ouvindo tantas e tontas conversas. dear, só que ninguém me pergunta do que eu sinto falta. ninguém decifra meus olhos, me tomam por esfinge, quando não quero enigmas, quero a vida fácil, o fluir fácil, quero o decifrável. e nem sou eu: o coração é quem pede. pede o quê? rastro de sonho, aurora boreal, circo. queria ser ator. quando criança eu brincava de inventar, e ia inventando e me inventando em personagem. continua? acho que me tomam por personagem, não sabem que eu também morro de verdade, que vou me morrendo por dentro, com tanto desejo. me pergunta o que eu quero. te respondo ao pé do ouvido: quero um amor maior que a vida. não quero pouco. quero muito e para sempre sempre sempre. quando criança, mamãe contava histórias, lembra? minha vida é história, mal escrita, de amor. ainda sem previsão de final feliz. saudades de você e de tantas outras coisas.

Um comentário:

sergio disse...

Vou parafrasear Caetano; Ler Márcio é como conhecer uma pessoa. Não estou comparando. Este Márcio destes poemas de amor são o Márcio mais Márcio que há? desconfio que sim. Grata surpresa. fazia idéia outra, como sugerem os adjetivos postos na capa deste weblivro.
A descoberta do amor e a ausência dele, e a fome que ele causa. O jovem poeta já fez seus recortes e filtragens, lá no fundo dos mistérios de seu mundo de letras, desejos e sonhos.
Gostei especialmente do "notas depois da festa", e talvez tenha gostado muito daquele que exige um amor definitivo, poderoso, senhor de destinos. abraço

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