21.7.06

carta-espetáculo


"de repente faço uma anticarta, antídoto do pathos"
ana c.
honey,

sem beijos públicos: foi assim mesmo que você disse. desde quando o beijo virou propriedade privada, cheia de biombos e vidros fumê? e tira essa fumaça da minha cara, estou cansado de tanto cheiro de cigarro e cerveja morna. fico olhando pela janela, fico engolindo palavras. repito três vezes a mesma coisa. alguém me escuta? você não me escuta. depois fica armando um circo, querendo virar uma mesa que está do meu lado. por direito. chantagem emocional, psicologia inversa, bobeiras que não me fazem deslizar. cheguei a pensar que tivesse sido ciúmes. pensamento-relâmpago. tão somente um abrir e fechar de cortinas, encenação, intimidade de teatro. me diz onde arrumou essa farsa de século retrasado. mas não agora. porque não quero atender o telefone. não quero ouvir tua voz. nem quero que me escreva nada. depois que se arranha um coração, baby, não há argamassa que repare os sulcos. e quer saber? vou fazer cópias e cópias dessa carta e sair colando nos postes nos muros nas calçadas. se me beijar era ato íntimo demais, renunciar a você vai ser notícia de jornal. espetáculos, baby. também sei fazer dos meus, com muito mais público.
(ouvindo trip-hop, deitado numa cama ensangüentada de sarajevo)

2 comentários:

Débora CG disse...

oieee
Saudades d vc...
Muito bom o q vc escreve..
Adoroooo
beijus

Anônimo disse...

naum é insenação....
naum chame de farsa....
insegurança minha apenas....
vamos buscar um lugar mais neutro para acalmar nossas almas....
para que nossos corações se encontrem....
saudades....
=************

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