8.8.06

correspondências do rio (l)


my dear,

o céu da minha boca queimou, o corpo secou. não há mais nada inteiro. pedaços de pele branca descolam, estrelas de carne vermelha, polpa de morango & sangue. coração meu segue rangendo, roçando nas caixas. mal respiro: eu transpiro um suor agridoce. enquanto de longe, os sinos se desdobram feito guardanado nos meus ouvidos. vai ver alguém morreu. ou eu. que a cada minuto passado, vou me morrendo, me mordendo, me queimando na pirofagia deste circo. alguns pratos se quebraram. limpos. pior é que eu fico me lambendo nos cacos, sendo lambido por gatos, compondo incendiários mosaicos felinos. mas mesmo sangrando, a boca queima, o lábio parte, o olho seca. não, amor, é o corpo que evapora num adeus triste de água morna, num rio saudoso, num inferno de cartas e distâncias. há uma febre, sim, mas não a de dentro. é uma febre incorpórea, sem nome, sem história (sintomas que não constam em bula alguma). no entanto, desacelero. apaixonadamente. me sinto estranho aqui - copacabana, circo, cariocas -, um perigo roçando nos ouvidos: quem sou eu se quem me beijou foi roubado? queimaduras de terceiro grau, segunda viagem. quero um retorno à ilha, quero magia (de amor. sem cenografia).

2 comentários:

Gu disse...

Tocante.
Me emocionou muito bunny!
(L)

Anônimo disse...

lindo lindo lindo...
macio tbem.
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