27.10.06

carta de recife


my dear,

as ruas de recife são um perigo. queria tanto tirar fotos do que vejo, dessa miséria das ruas, mas tenho medo de sacar a polaroid da mochila. shots: certos tiros são proibidos. ouço apenas os outros, vindos da praia e dos becos. um garoto faz cleptomania do meu lado, e ainda confessa o mínimo delito. eu não sei o que tiro daqui, um flash, uma memória, um flashback. destroços do presente. o calor abranda com o vento úmido do litoral. um vento que sopra nas janelas, nos corações e por dentro dos homens. queria que tivesse mais tempo para mim, mas pensa tanto na áfrica e em países distantes e impossíveis que nem me olha. a holanda parece um sonho, mas a vejo cheia de praças com gente fumando charutos, a sinto coberta da maresia que vem das das calçadas, das praias, dos sobrados históricos. eu não tenho idéia, não tenho a mínima idéia do que é um furto assim sorrateiro. me fotografa? com delicadeza olha para o lado, tv fechada, interesse intenso. tamborilo na mesa, olho para o lado também. recife, recife. como pensei que nas tuas ruas houvesse liberdade. como pensei que aqui vivesse o amor. foram tiros isso agora? não. vieram das máquinas em punho, tiraram minha foto. acho que vou para um livro. biografemas de um rosto triste. assim como o das mulheres e dos meninos dessas ruas pobres e solitárias.

Um comentário:

p. p. disse...

=(
desculpa...?!

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