29.10.06

carta lingüística


my honey,

não caibo mais em mim porque a espessura do teu nome extrapola os limites do meu corpo, transborda. tento me segurar nas bordas, te segurar com os ossos e as medulas, sem vitória. vitória da conquista, niké alada, nomes gregos e sem volta. estou às voltas com as cordas do coração, tentando amarrar cada pedaço e fonema ao meu corpo, fazendo cordões de enrosco, âncoras, tendões de escopo. o amor é líquido. a água trabalha no silêncio e continuamente, nunca cessa. aceso o farol, acesas as luzes do barco, ainda assim naufrago nos arrecifes que te nomeiam de trás para frente. assim mesmo: as palavras e as coisas, o paladar das coisas dentro das palavras (e embora o gosto teu não tenha significante imediato, o deslize infernal dos significante se opera na minha língua). por isso não cabe dentro de mim, nem eu me caibo, porque acompanho teu fluxo de maré cheia, com a lua vestida de nuvem, teu rosto vestido de virgem e o inominável da hora pousando na palavra-enigma: amor.

3 comentários:

Anônimo disse...

adorei a imagem, de quem é?
seus posts são imperfeitamente perfeito ;}
kiss

Gu! disse...

é tão puro e tocante.
seus textos me fazem viajar, me fazem pensar sobre coisas e lugares, imaginar e querer estar.
amo vc!

Anônimo disse...

Márcio,
Procuro outros textos sobre mitobiografia. Podes sugerir?
Sérgio
P.S.: isso, se fores o cara que escreveu sobre, óbvio.

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