10.1.07

império das luzes, inacabado.


my dear,

as crianças comeram doce no último pôr-do-sol. depois, nem sabiam onde estavam. veio vindo uma rajada estrondosa de luz que derreteu as ruas, as pessoas, os prédios. todos pareciam tão fora do lugar (um, dois, três, quem escolheu fui eu). os pequenos brincavam de pique-esconde, enquanto, do outro lado da porta, um assombro de papéis coloridos, recortes de tv e tantas outras coisas sem sentido. ninguém sabia, mas era irreversível. uma viagem apenas com o inútil dos dias - fantasmas de carbono, decalques de grafite, vento furioso. assim deveria ser um clarão em nagazaki: uma estrela branca descobrindo cada telhado de esconderijo. sem voz, sem expressão, dormiam todos os que se encheram de mágoa. depois da curva, as calçadas gemiam de cinzas púrpuras. sim, o amor não morava ali, só os pêlos da garganta com maldade raiada. lâmpadas, incandescentes lâminas, as crianças se assustavam até os cabelos. e sabiam, ouvindo atrás das paredes: era um crepúsculo para nunca mais.

Um comentário:

Hugo disse...

eu não sei se voltei aqui para responder aos comentários, para fazer uma tréplica ou coisa que o valha.

sei que voltei pra ler muito, pra me deliciar com essas cartas. :}

mas então, não quero que fique o dito pelo não dito. aquilo que eu falei sobre influências foi muito mais um desabafo do que uma crítica ou uma 'reclamação', entende? no caso dos meus amigos, eles comparam por não ter com o que comparar, entende? vindo você, eu sei que existe um embasamento literário bastante superior e diferente. vindo de você é bem diferente. e eu super concordo com influências fortes e inevitáveis. não tem como não concordar, né?

tô me despedindo pra poder voltar.

Pesquisar o malote