5.2.07

das linhas férreas:


honey,

as frutrações de um trem parador. código da civilização. hostil, pesado, fumacento. há um trem atravessando agora mesmo o countryside da mesma civilização. sem mim. é ensurdecedor saber que o destino fez linhas de trens cruzadas, linhas que cruzam as mãos, os pés, as águas. as linhas do destino em minhas mãos, molhadas, cruzando as tuas linhas de destino igualmente molhadas, nas mãos. o trem das águas, o vagalhão, descendo lento e sem vento numa estação sem espumas. a água nos alisa, eu te aliso debaixo da água, tu me alisas a boca com tua boca cheia de águas. era um trem parador que te trouxe pra mim e, que, mesmo lento, foi me empurrando com fúria colina adentro, até descarrilar meu coração em milhões de faíscas azuis sedentas. depois te embarcaram no bullet train, train grande vitesse, maglev, não sei, e te levaram longe, a kilômetros em menos de horas. antes fosse um trem parador que demorasse, para que eu me demorasse ainda mais nas linhas do teu corpo. sedento, eu não me engano. a passagem está comprada. nem que seja a pé eu vou te encontrar. e quando embarcar no seu comboio, não haverá mais parada.

2 comentários:

Alberto Pereira Jr. disse...

"e quando embarcar no seu comboio, não haverá mais parada"...

texto respirando sexo! (adoro).. linhas cruzadas, encontros e desencontros amorosos... desilusão.

Para ser triste basta se arriscar a viver!

Hugo disse...

quase estou com ciúmes desses comentadores aqui. tô vendo que nem sou mais exclusividade. hunf. :)

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