20.1.08

starcrossed.



um dia as estrelas todas do firmamento perderam os nomes e, sem saber como se chamavam, duvidaram da própria existência. tentaram inventar outros nomes, mas esqueceram que não compreendiam nada de letras, fonemas ou palavras. ficaram um pouco tímidas, graves e fictícias, fingindo um brilho inteiro e uma cor intensa.


até que duas delas, sem aviso, cruzaram as suas pontas de luz pelo espaço e desenharam um corpo. era como uma maravilha no céu. a nameless wonder. mas não demorou muito para que outros astros inventassem algo impronunciável que as nomeasse. os símbolos sem som para aquela constelação, dois signos que de tão indizíveis tornaram-se proibidos.


então as duas estrelas foram separadas, também sem aviso, e impedidas de cruzarem outra vez seus caminhos. de tão tristes, uma delas caiu no mar, outra sumiu no céu. sem nome, as outras estrelas, foram se apagando e morrendo. não sabiam que ao varrerem do espaço a única coisa nomeada condenavam a si mesmas ao desaparecimento. e desaparecendo, nunca mais voltariam a se encontrar.

quem sabe, apenas muito mais tarde.
ou para sempre não mais.

Um comentário:

Hugo disse...

por quanto tempo a gente vai ter que aguentar fingimentos de brilhos falaciosos? um grito no escuro, um starcrossed love. será mesmo para isso que todo o firmamento está destinado?

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