27.4.08

lírios



dear,

bem-vindo aos campos de lírio, onde brotam esperanças e espíritos. é um lugar todo meu. aqui sou cercado de encantos, carícias e fantasias de cetim. a maldade inteira dos homens não me alcança entre as flores. e as borboletas, coloridas e delicadas, trazem nas asas o bálsamo que me cura. a luz das revelações não me assusta, as cores tampouco. pois, olhai, meu bem, os campos de lírio, cheios de glória, vestidos de salomão e coroas de louro. veja que aqui eu sou eu, sem versos invertidos ou verbos quebrados por inteiro. neste lugar que inventei aos pés do castelo, eu existo e não sou mais o fantasma invisível de um sonho qualquer. sem se perder na noite estranha, segure com força a minha mão e venha comigo. deixe-me mostrar o mecanismo do meu corpo, a pele aveludada das pétalas, o gosto açucarado do pensamento. o vento selvagem que sopra por estes cantos nos faz tremer por dentro. montado no seu dorso, o perfume sonolento das flores nos enche de ternura e faróis para a calmaria. estes campos de lírio, cheios de memória de água, são o lugar em que eu começo a te dizer: sou príncipe e soberano, ofereço minha riqueza e minha doçura às mais bravias e abelhas-leoas.

Um comentário:

lê disse...

devastador e delicioso.
falas mais alto que as batidas descompassadas e palpitadas do meu coração.
vamos nos disfarçar de fantasmas e dar sustos nas pessoas?
prometo espantar o nunca-mais definitivamente da sua vida.

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