14.6.08

enigma e comentário


dear,

preciso remontar os segredos, desmontá-los, destruí-los, refazê-los, até que sejam outro segredo e um claro enigma, mesmo para mim. e segredando assim os segredos, segrego também o secreto, a vida íntima do arrepio e do que não confesso. desprezo a mentira e me desfaço das verdades encolhidas e encobertas pelo desmanche discursivo. quero precisar, antes de tudo, ser eu. e possuindo o mais interior dos outros, não consigo me tornar o que sou, permaneço em estado de inconsciente coletivo, de uma coleção de vestígios e coisas cruas de tanta ousadia e vergonha. permaneço me esquivando da indelicadeza das palavras e dos crimes de prestidigitação. mas para desaparecer por completo é preciso negar; para negar, mentir; para mentir, omitir o mais de tudo e dizer o de menos. em outras palavras, ser o corpo e o engasgo da esfinge, e o que vem por baixo das pontes, das rajadas de vento e do baixio desterro desta terra-ilha. o que acontece, dear, é que a proposição desvenda, esfola e devora a quimera que sou.

3 comentários:

Sérgio disse...

Marcio,
Você escreve coisas que eu quero ler, que eu gostaria de ter escrito se fosse escritor. Vá saber. Por isso você é meu escritor.

ROSA E OLIVIER disse...

Piú giú, in fondo alla Tuscolana...passavo per un saluto!

Manuela Penzlien Medeiros disse...

secretissimo. tanto quando um espelho haha

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