12.7.10

o estreito de oenning


dearest:

talvez seja difícil me acostumar. o mundo é grande, as ruas são grandes. difícil que o talvez saiba me acostumar. o apartamento é pequeno, o chão é pequeno. acostumar-me ao difícil talvez seja: vasto. pode ser que seja uma entrega, o delivery de um coração imperfeito. o pretérito, mais que perfeito. o resto pode ser samba e um monte de doçuras no pandeiro. a canção é desafinada, meio grossa, meio bêbada, mas o importante é que seja minha, inteiramente. acho deu pra ver que da primeira vez eu não pude ser sincero. escrevi aos montes e fiz aos poucos. eu era quase um esconderijo de tanto que não me viu. entretanto, contigo foi o mesmo: era apenas mínimo meu conhecimento de ti, já que só de ouvido eu tinha o pressentimento da tua chegada no quarto silencioso. teu anteparo interior não me permitia chegar mais perto do que aquilo que pertencia ao corpo. de nariz também te sabia, porque teu cheiro grudava na minha língua, na minha pele, nos meus dedos. feito fotografia, teu sorriso bonito, largo, aberto feito criança de oito anos ficou no meu olho. estou muito arrependido dos maus conselhos dos sujeitos maus. me perdoa? é uma prece: vê se não esquece de me aquecer de novo dentro do peito. é fundo o que sinto, é profundo o que sou. pretendo chegar de tangente e cair lá no meio, sem que o nosso tempo seja outra vez um encontro passageiro.

2 comentários:

J@cque disse...

Envolvente... como sempre

camipoetisa disse...

lindo, pleno, perfeito:
'eu era quase um esconderijo de tanto que não me viu.'.
amei!

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