18.7.10

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dear:

creio que posso entender a grande recusa, mas é sempre difícil vindo de ti. ainda mais porque o amor é feito do que eu quero. invento por horas as horas de satisfação, de plenitude, do gozo cheio de conversa depois. tu não contemplas as mesmas coisas. é sempre o mesmo terror de sentir qualquer ofensa ao que é teu ou ao que tu sentes. mas deixa: eu que estou muito sensitivo esta noite. queria ter ouvido tua voz, mas tua voz não pôde vir. está perdida no sono, na distância geográfica, na incapacidade de me amar tanto quanto eu te amo. e o pior e o mais difícil: talvez a voz não seja mais nem tua, mas do outro que te habita a saliva. é o que me faz perder sangue e fogo pelo chão, é que me faz doer os ossos, as mãos, o amargo da língua. se eu não te faço compreender minhas dores, tu me contemplas com o mesmo mistério. e sendo dois, não há quem nos possa juntar. somos como duas paredes sem vão e que tentamos, a despeito de tudo, colar nossas bocas sem razão. 

2 comentários:

aaluah disse...

porra! eu amei isso, achei muito foda!!!

aaluah disse...

esse texto pareceu um filme, até, por alguns instantes.

ai, como sou imaginação!

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