25.8.10

poema em prosa


honey:

eu não resisto a ti. então: que deus permita que eu morra perto do mar, sem nunca mais sentir tua falta, sem nunca mais me afastar da tua praia, das bordas das tuas metáforas marinhas em mim, molhando-me os pés como espumas delicadas. quero sempre poder partir|chegar em noites prateadas, iluminadas de ti, brilhante na areia, o único destino para onde sei voltar. quero sentir as pedras de sal, as escamas dos peixes, o ribombar marulhoso misturados ao teu cheiro, ao teu gosto que eu gosto de gostar, sentindo gozo, plenitude, profundeza do mar. ah, amor, por ti, apenas por ti tenho balanço, ouça o meu grito de todos os cantos: o meu canto de todas as sereias: por ti, eu me naufrago, eu me recife, eu me instauro falésia, só de pensar-me tão longe da tua boca e do teu ar. que eu more perto do mar, meu deus, apenas para me molhar de ti, sem nunca temer a altura das marés ou os nós do vento selvagem. que eu não tenha mais medo das estrelas do mar, das encostas de cracas, das águas de fogo, vivas. que eu apenas tenha medo: de te fazer chorar, de te magoar, de não te sobreviver em meu corpo, de te perder para o oceano pacífico e me diluir na quilha do teu rosto.

2 comentários:

Christiano Scheiner disse...

sempre lindo, aos poucos vou percebendo a nova dinâmica de um amor na escrita, é uma fábula constante, um tema inesgotável pra um escritor cheio de vida interior e imagens como você. parabéns, adorei esse "mar" do qual eu mesmo tenho muitos medos. um abração

Camila disse...

Intensidade do começo ao fim. Lindo, lindo!

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