9.11.06

correspondência.


my dear,

os pensamentos foram desabando do céu feito estrela cadente feroz. cada risco que faziam era uma luz, um flash, um brilho de mercúrio e prata. e você nem espera, embora já houvesse feito o pedido, tão antes que nem se lembrava mais. então acontece do corpo ser pego assim de surpresa, pulsando e brilhando uma estrela viva. não acreditei. e deitei o corpo por cima da noite, rabiscando de colorido a brancura da lua plena. como pode o pensamento ser tão veloz dentro da noite morosa? pois a noite passada não terminou com os fios da manhã, puxados lentamente por anjos e deuses. mal te conheço, mal te vejo. quase nada sei em verdade. mas teu rosto, teu gosto, teu beijo amoroso cruzou a noite toda os meus sonhos, tão velozes e tão urgentes. e nem sei por que assim o foram. não pedi. nem esperava o mínimo de tua atenção. por isso me perdi nesses clarões de estrela sangrenta que ofuscaram tudo ao redor. e todas as histórias que eu sonhava eram das memórias que nunca tive, mas que eu gostaria de ter de agora em diante contigo. e de manhã os pensamentos eram trens desabando de um precipício, tão querendo dormir de novo, apenas para te sonhar outra vez, feito contorno de desenho que eu copio, reproduzo e invento. talvez por isso a maior invenção da manhã foi te refazer nos pedaços de sonho, tomando café com leite, sorriso no rosto, adivinhando se de verdade vou estar tão ao lado teu, com teus olhos brilhantes, feitos estrela caindo.

2 comentários:

sergio disse...

Original, talentoso, sensível, inteligente. Envolvente ao ponto de se sentir que este é um texto com destino concreto.

Thiago disse...

Perfeito!

Adorei!

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