4.1.07

carta de réveillon

lovely dear,

maré vazante, segredos vazando & cobrindo toda praia, toda baía de norte a sul, cobrindo todo mundo, tirando meus pés do fundo & de dentro do indizível, do vermelho salino dos olhos, do ácido que secreta dos tentáculos de uma água-viva. então a lua veio e me arranhou tão malvada e eu que a olhava tão apaixonado, saí em tom ensanguentado do cais que ela tocava, da água que marejava alta e me tirava espessas faixas secas de praia. por trás dos lances de prata e espuma, chuva de prata, chandon, do gosto adocicado escorrendo na garganta, do dolorido no arranhão da lua, ficou tão logo sem jeito o amor a me fitar numa cor vermelha de carne crua, tão estranho, sem brilho de pérola, ou colar de diamantes. mais champagne vazando no litoral da minha boca, dos meus dedos. ah, ano novo, vai ver é hoje que acontece um pouco de revolução. mesmo para uma milícia tão reduzida e tão bêbada. escuta, não pega em armas. pega somente em palavras trocadas para minha conquista. me entende bem: ainda assim o que eu te disser com o meu corpo, só teu coração vai me responder. de assopro e trovão, maré gritante. iemanjá em branco e azul lençol de cetim. (tudo que eu queria era um coração branco, alvejado e novo para o começo de agora então).

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