22.5.07

carta plantae



honey,
estou pronto para me ver limpo nas frondes de uma samambaia-de-renda. eu tenho feito dobras d'água nas gotas de orvalho de cada folha. o serviço é completo, rápido e lindo. me parece uma caixa de correios cheia de memórias e sem ciência alguma. as chuvas estão para vir, portanto aguarde telegramas. o inverno aqui me parece tão redundante. uma história climática de retorno certo, carrossel de nuvens e coroa gigante. vai ver por isso que meu amor é líquido. e eterno. estou singrando pela trama dos lençóis nos afluentes de um corpo-nau. meu bem me quer, sem pétalas ou discursos. eu, por outro lado, uso e abuso dos recursos homeopáticos do eu te amo. estou adorando me devorar por dentro, deixando a alma lavada e com os pés de fora. sem meias ela é tão linda e tão macia quanto a boca de um desejo. aproveito o ensejo para dizer que me vuelvo loco por vos. por isso me torço numa espiral em torno do teu retorno feito uma avenca. meus esporos de voz e brilhos despencam no vento e nos sons do jardim. ouço tua conversa no xaxim ao lado. me espera? logo logo apareço com meu coração verde e os pêlos de minha barba rala. tenho certeza de que posso ser novo e bom. quero que todos os dias me desarrole de tua garganta um tapete aveludado de musgos, sombras e água fresca, pois é a tua pele, amor, que me renova o caule e movimenta os moinhos do tempo.

2 comentários:

Anderson disse...

Grande márcio.. vc e seus textos, cartas que passam um sentimento muito forte uma energia inexplicável.. suas colocações, palavras.. transmitem força para vencer todos os osbstáculos.. torço por tí sempre.. conte comigo... Abração.. e mais uma vez Parabéns por esse dom e inteligência que o cercam..

Hugo disse...

eu estou fortemente tentado a imprimir todas essas cartas, organizar num livro e ler diariamente. o blogue já não me basta.

saudades sinceras.

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