7.8.07

jogos de azar.


dear,

há mais um dia no fim do mundo. e políticas de anacronismo no catálogo da parede. bem me sei brilhando em puro efeito barroco. sim, eu sei, as leituras de época são leituras cegas, sem óculos que possam corrigir as retinas tortas. vai ver é porque têm os pulsos cerrados para o batalhão de fuzilamento. alguma parede de maio, desmaiada e sangrenta. eu queria era eliminar os sentidos e enveredar inteiro pelo segredo. então faço poesia como forma de aposta no que há de mais secreto. a poesia, dear, é uma retórica erótica do desejo. por isso me lanço aos dados como quem se lança aos versos. metros e metros sem escansão alguma. sem banca ou croupier. mas chegam a me cansar as cores monótonas de um continente negro assim. fico pensando coisas perturbadoras: se um dia será preciso escolher entre a felicidade e o sacrifício. e se esse tempo chegar, se a morte não parecerá uma finalidade mais feliz. me sinto meio de encontro marcado, preparado, smoking limpo e lustrosamente negro, em majestosa sincronia com o avesso. foi um dia final, fatal, fractal. por isso me lanço aos jogos recalcados de poemas, multiplicando os lances de dados até tomar, como medida mais profunda, o acaso e o azar. as áreas do suspense, as árias de uma ópera sem vida.

Um comentário:

Quem? disse...

textos assim me faz pensar em parar de escrever. memso que eu escreva apenas bobagens do cotidiano.
beijão.

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