19.12.08

anotações do cômodo ao lado


my dear,

entre a carta de antes e a de agora perdi a calma. eu mesmo provoquei isto. tudo porque não fui cauteloso o suficiente para entender que toda confissão é perigosa. mesmo aquelas enigmáticas, feitas de uma intimidade de primeiro grau. ou o contrário mesmo da intuição: o enigma abre ainda mais as gavetas, violenta o discurso, deixa penetrar no papel uma luz planetária, permite que a fome da metáfora devore tantos outros significados a ponto de perder a linha. nesse movimento de risco eu me perdi e pedi por aquilo no que não havia apostado. já estávamos mesmo longe demais na estrada. equivocadamente perdidos. um affair. um caso. quando permiti que fizesse uso completo do meu corpo, entendi que tudo estaria findo no instante subseqüente ao gozo. e com uma certeza triste dei um passo meio déjà vu em direção à porta do quarto.vestimos então a pele de um silêncio grosso, de uma quietude de seda falsificada: eu não dizia nada. você não dizia nada. então olhávamos para o olho da rua um tanto humildes e miseráveis de palavras. também um pouco cegos. e não dizendo mais nada, enxergando quase pouco, nos despedimos.

2 comentários:

Anônimo disse...

talves voce devesse ter dito

camipoetisa disse...

lindo. dos mais. amei.

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