20.2.09

modo: subjuntivo


my dear,

o amor é uma história subjetiva porque está marcado por um sujeito que a experiencia. a mais subjetiva delas, entretanto, é aquela história subjuntiva, marcada por um tempo provável e, quase sempre, impossível. você vive nesse tempo e não posso apagá-lo. talvez porque não queira, talvez porque não saiba domar esse ritual primitivo, ardente. [nem saiba lidar com seu interesse documental pelos xamãs]. por isso a zona erógena do meu texto roça nessa incapacidade de lidar com o futuro pressuposto. o muro das pulsões está ensanguentado tijolo por tijolo. nele, vejo os sonhos deliciosos dos tabus, dos símbolos coletivos, dos totens, de todas as pessoas antes de mim. e das pessoas que nunca virão depois de você. nessa hora minha libido fantasmática devora-me. nessa hora minha fantástica libido inventa-me em salivações demoradas. quase não posso suportar. estou entre o colossal e o minúsculo, o infinito universo de coisas perdidas. qual conteúdo manifesto ainda não decifrei nos meus sonhos? qual realidade que ainda não consigo engolir que não seja a do cotidiano? o presente é uma superposição de planos sem sentido algum. fractal. é assim que dispenso qualquer entendimento para o subjuntivo. o desregramento inteiro da sintaxe de meu corpo implica um aprendizado imediato da nova gramática, da experiência vívida de um turista de passagem. foi o que senti quando esteve em mim. foi o que fui obrigado a sentir quando roubei uma manhã do mundo. a primeira manhã do novo ano. como é estranho pensar que o sol se deita e se levanta em todas as cidades do mundo, o deus-sol adúltero, promíscuo. le roi est mort, vive le roi! por que seu corpo não é feito da mesma monarquia? ah, como é horrível o futuro que se esgota no passado. eu leio o horóscopo de hoje, folheio os almanaques antigos, sou iludido pelas aberturas de vanguarda do cinema - fade in, fade out, close up, flashback. acho que estou iludido pela última memória subjetiva. decididamente. enquanto isso, sem palavras, a oralidade devoradora da língua, dos orifícios, da boca, da saliva deliciosa dos amantes, goza com a coisa desejada no presente e que vai duvidosa no próximo presente de amanhã. [minhas gengivas não param de sangrar a coisa subjuntiva]. por fim o amor é uma história introspectiva, de vertigem.

3 comentários:

Agatha Bressan disse...

saudades das suas palavras e da sua pontuação.
talvez vc lembre de mim pelo meu antigo blog http://secretgardenintome.blogspot.com/

descobri "Os escritores Invisíveis" e descobri que temos um amigo em comum.
e quanto tempo não comentava em seu blog.
mas eu o acompanho sempre.
cada vez mais compulsiva pelas imagens que sua escrita me desperta.

virgílio maciel disse...

fiquei bastante surpreso e à vontade na tua escrita. bacana o teu trabalho.

Cujo disse...

e daí, por que é subjuntiva estás sub-onde? onde onde?
cada mais textos? é uma maneira de matar saudade lendo-te também
;)
abraçãoooo do chrisinho

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