31.5.09



já faz tanto tempo que não conheço ninguém. faz tanto que algo de mim morreu. ou continuou, sem que eu percebesse. o tempo faz coisas. um mês. e a carne prossegue, inteiramente feita. foi para isso que eu vim? eu peço ao volte que me dê a coisa anterior a isto. eu peço que me dê o norte. volte, eu peço. noite passada sonhei com você. noite passada sonhei que a índia não chegava ao chão. e era você que flutuava o país com uma flauta. mas agora, acordado, meus pés estão frios, desumanos de tanto frio. acho até que voltei a nascer, há dias vinha morrendo. o calor me mata por dentro. até os ossos eu te comia com minha inveja. era para ser. estamos sendo em separado. a paixão já apareceu tantas vezes, do jeito que era, mas não acreditei porque sonhava mais. (você tratou de colocar band-aids nas fantasias, mas) não exija a catástrofe que não pode. a sala está cheia de folhas secas e cartas manchadas. não leio. desisto temporariamente do soco no estômago, da queda livre. toda escritura me recorda o que aconteceu. toda escritura é uma profecia; toda gaiola é uma história, uma cortina. já faz tanto tempo que não dói mais. vejo no escuro a multiplicação negativa de mais escuro, ou todos os tons do fogo quando forte. faz tempo que estou sozinho. já faz tempo que sou o ninguém. e já faz tanto tempo que desmancho-me na sede de conhecer o que virá. e quem.

4 comentários:

Anônimo disse...

parabéns ;)
meu pequeno romeu, não morra antes que o pé nada indica.
tu és e deves permanecer tal como é, não exiga demais de si (a não ser é claro, na tua escrita).
beijos mil, seu fraterno chris.

Anônimo disse...

el cielo está cansado ya de ver la lluvia caer..

Anônimo disse...

queremos um texto do dia dos namorados

G.R. disse...

Que lindo isso... suave, mas uma porrada em muitas lembranças minhas... lindo blog, o Cris que me indicou... sorte minha...

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