17.9.10

aniversário


honey:

estou sempre atento às iluminações da vida, às gravuras coloridas do coração. percebi, na última epifania, o seguinte: quando eu disse "eu tenho medo de te perder", ao que você respondeu "como pode ter medo de perder o que tem ainda e, pior, sofrer com a ausência do que nunca teve antes e do que nunca precisou para viver?", eu senti uma pontada dolorosa. parecia verdadeiro a princípio, depois não, nada mais terrivelmente mentiroso. quando eu disse "eu tenho medo de te perder" era de angústia: se acaso o destino nos enveredar para outros caminhos, amor, estarei, então, diante de um marco insuperável que será esta tua presença na minha vida. depois de ti, os outros serão sempre os outros e só, como bem diz a música cantada no teu ouvido. e é exatamente por isso que sofrerei a instância do medo, do absoluto pavor, de que no futuro nós não sejamos um, de que nós sejamos dois, em linhas paralelas e separadas. sofrerei porque só poderei ter te encontrado uma única vez e, te perdendo, nunca mais poderei te encontrar de novo. e pior: nunca haverá outro amor tão igual. o tempo dos amantes é ímpar. bem sei que procurarei teu rosto nos outros rostos, teu cheiro nos outros cheiros, tua língua nas outras línguas - incessantemente. ao final de cada noite irei chorar por haver tentado repetir o que tu és nos outros, mesmo sabendo impossível realizar a tua representação idêntica na diferença. então: já não saberei mais viver o que é preciso e o agora estará morto como um tempo já passado. por isso repito: porque tenho medo de te perder é que tenho me perdido em ti. e pedido tanto para que fique. e é o que só quero por muito mais. feliz.

3 comentários:

Christiano Scheiner disse...

este é um post lindo e maravilhoso, o medo da perda é um medo inalienável e pouca gente se dedica à ele com profundidade, tentando destacá-la das demais emoções que rodeiam o amor, embora esteja em todas as belas histórias e romances. adorei este Aniversário. bjns, do Chrisinho!

Anônimo disse...

Ele disse não
para um amor que poderia
ter existido
já um verão antes,
e muitos depois,
amor distante,
sonhador
idealizado claro,
mas não são assim todos os amores?

Thiago disse...

O amor que se vai é a pétala perdida da rosa mais bonita.
Não mais haverá uma outra pétala como aquela.

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