5.9.10

"[...] é maior que o mistério da Morte".


honey:

e se eu te pedisse, por amor, que não partisse, que nunca me dissesse adeus, adiós, goodbye? 'sim, eu sei, entendo', eu responderia. mas ainda não satisfeito em meu desejo de não te perder, eu te perguntaria: 'e o reflexo? não podes deixar aqui, neste espelho de corpo inteiro, a representação tua? não deixa comigo a tua alma se teu corpo não pode estar comigo?' deixou-me tão feliz tua resposta, teu feito, que impossível é me conter, preciso contar o efeito deste teu feitiço: todas as noites, à meia-noite, mesmo que tu durmas em outro canto do mundo, tua imagem descola-se do espelho e deita em minha cama, fazendo-me bálsamo e carícia. ao fim da madrugada, o que é de ti volta de onde veio, como se voltasse a um quadro, a uma pintura íntima. e porque assim é, tenho o sono tranquilo, pois teu coração dorme comigo ainda que estejas longe. e quando tu vens de verdade à minha casa, então a doçura de viver é ainda maior: tenho de ti o corpo e o coração verdadeiros. pois antes nunca me tivesse dito da primeira vez adeus - agora, amor, é tarde demais para voltar atrás: quero-te do espectro sutil à morada macia dos teus abraços, quero teu velar da madrugada e tua presença nas tardes fagueiras, quero teu acordar da manhã e o teu despedir-se das estrelas. e se eu te pedisse, o que de fato aconteceria?

Um comentário:

jose virgílio disse...

que coisa isso de pedir.
um abraço.

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