21.3.11

telegrafia do morango


honey:

é o fim do dia e ainda não estou acordado. é agora que começa nosso tempo lento, de maior duração. sem aquela velocidade e voracidade dos sussurros da noite anterior. é possível que agora é que comece o dia de todas as vidas. vermelho até a polpa, com cheiro e gosto de morango bom. já neutralizei toda a resistência em prosseguir. não sabendo se haveria uma outra vez, o impulso imediato foi levar a cabo tudo o que fosse possível, de uma só vez. era um primeiro pensamento. traidor. algo que contrariava fundo o desejo e a vontade, por isso a resistência. o coração não queria ir tão longe, não daquele jeito. o coração queria se alimentar de tudo aos poucos, com muito tempo, com a certeza de que seriam muitos dias e por muito tempo. mas havia incerteza espraiada no ar, um medo de que fosse só a batalha de um dia. não sabia o que fazer e muito me enredei, tudo porque o amor tem algo de mais fluido, de mais tranquilo, de um jeito que nunca ficamos perdidos. é como mergulhar o corpo em águas calmas, batismais. não disse nada antes porque é mesmo assim: só de coração um segredo é feito. e findo o dia, nesta noite na qual ainda não estou acordado, recebo lentamente uma mensagem telegráfica e carnuda, logo após a mesma confissão: eu te desejo também.



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