29.3.12

o perfume de ti

honey:

tu estiveste aqui. eu sinto. é o que sinto: teu cheiro. verdade que eu quero e desejo e coro por querer-te ainda mais. o tempo que pra sempre. mas não era isto que eu queria: a vontade no vazio, atiçada no fogo por uma fragrância. bem sei que teu perfume não é único. outra pessoa cá, com teu cheiro, pode ter estado. não me importo. penso que é tu. ao menos posso ter a fantasia se não posso mais. sim, amor, nunca me esquecerei da primeira vez, das primeiras notas, do piano de tons e cordas quando nossas bocas se tocaram, roçando dente contra dente, desajeitadas, rosto & lábio & nariz beijando-se a um só tempo. as mãos subiam pelo pescoço, terminavam na nunca, enterradas nos cabelos. acarinhávamos em movimentos circulares o amor primeiro de nossas vidas. naquele tempo o amor era prêmio. agora: é fantasmagoria. do lugar de onde estou, na calçada, perto do precipício, coloco-me no lugar, neste lugar que imagino pleno de ti. fecho os olhos e é como se eu te visse diante de mim, de costas. então a brisa atravessa teu corpo e traz no bojo o cheiro teu. arrepio o reino de mim. tenho vontade de me aproximar, tocar teus ombros, teu sonho de novo tocar. então abro os olhos. é o invisível que me faz perceber-te palpável de novo – um corpo. infelizmente um corpo perdido na pequena morte, na falta de sorte que foi o destino de nós dois.

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